em palavras vazias
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Cabul, 2005
em todos os lugares existem semi-deuses.
essa gentinha está sempre pronta a escutar-se.
agora diz-me tu: um semi-deus pode ser um contador de histórias?
o quê?
a relação com a fotografia?
não tem nenhuma, mas ainda não se percebeu que me é absolutamente indiferente?
o quê? arte?
[não sei, mas passo a explicar]
( ... )
[espero em todos os lugares que o tempo passe e eu com ele.]

Cabul, 2005
um olhar.
[quanto me é grato o silêncio]

Cabul, 2005
percorres o espaço onde o céu abraça a terra.
repousas.
sim.
no abraço.
[...
escolher o tempo e as palavras no abraço do coração
o meu horizonte és tu
...]
(texto e fotografia de jorge)

Cabul, 2005
olho-te.
verde, verde, verde.
o pensamento é um cavalo alado que se junta ao coração.
subitamente sereno.
[não precisamos de palavras. às vezes]

Cabul, 2005
esperamos.
o mesmo olhar perdido.
[o coração repousa longe]

Milão, 2005
às vezes és asa. no horizonte do olhar.
[o meu pequeno mundo]

Veneza, 2003
pouco mais há a dizer.
amanheceu e a praça continua deserta
bem sei que se encherá depois de partir. são assim as cidades assaltadas por turistas ocasionais: uma inundação de ansiedade e pressa.
[não haverá redenção nas palavras]