em palavras vazias
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Covão da Ametade, 2004
ainda falta
dizer: que os rios
se entregam ao mar. que percorro
os traços e as palavras
devagar.
ainda a promessa
onde tudo se lê e nada está escrito.
[ainda o cansaço das palavras no silêncio do olhar]

Busto Arsizio, 2005
desenhas o azul e todos os caminhos que o podem percorrer. julgas-te um artista?
[confúcio] eu não procuro saber as respostas, procuro compreender as perguntas.

Busto Arsizio, 2005
armas-te de pequenas palavras e ódios. construções iguais na representação de uma importância vazia.
[olhas indiferente e sorris. e a ternura?]

Busto Arsizio, 2005
rodas.
giras sem cessar em viagens sem destino.
perco-me neste olhar e rodo contigo.
quando me fotografaste, o passado ressurgiu, comprimido, no rectângulo cinzento da moldura.
era outra vez novembro. viajavas de novo nas margens do rio pó, mas podia ser outro qualquer rio ou lugar.
percorrias o tempo e com ele as palavras? os silêncios? os olhares? os sorrisos? os gesto?
pouco importa. viajas de novo perdido.
permanece a certeza de que existimos.
também aqui.

Busto Arsizio, 2005
novembro
é um estilete que te penetra o coração.
[também o olhar é um lugar inóspito de intranquilidade]