em palavras vazias
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Milão, 2005
olha o interior das coisas.
[também sou feito de ti]

Fazenda jardim
pintas.
pintas-me uma cor
pintas um verde.

Bolonha, 2004
palavras.
é tudo.

Istambul, 2005
o que dói
é não poder inventar novos regressos
e repetir dia após dia estes gestos
o que dói
são os lugares onde me perco
sonhando para ti este olhar

Istambul, 2005
somos às vezes, fortalezas sitiadas pela realidade das coisas.

Cacilhas, 2005
poderá alguém satisfazer-se com coisas fáceis?
[azul.... os primeiros, mas existem outros e outras cores. com tesão é indiferente o conteúdo da paleta].

Lucca, 2005
podia mergulhar na tua pele.
contar-te que sou peixe que respira o teu calor.
podia contar-te que não vivo, quando me falta esse ar
e que também por isso estou na tua porta.
(texto de susana)

Lucca, 2005
o teu amor deixou-me o corpo transparente.
resta o verde do meu coração a pulsar descompassado.

Lisboa, 2005
a sétima saudade é a mistura transbordante de todas as anteriores, criando um movimento e um espaço particular em que cada uma delas leva a cada uma das outras revisitando-as, como se se estivesse a olhar um caleidoscópio, ou como se se fizesse parte integrante desse mundo de reflexos interactivos, de formas, cores, movimentos, imagens em mutação, mas fundeadas no coração das coisas e no nosso. é uma saudade que se comporta como uma máquina do tempo, correndo para trás e para a frente, rodando livremente em todas as direcções, revivendo as memórias das coisas, inventando o futuro da memória, bordando-o pacientemente com sonhos, e sofrendo, sofrendo, sofrendo tanto, só de pensar que se pode estar perto, tão perto, ou tão longe, tão longe, de matar a SAUDADE ou nunca mais.
[…
ainda as palavras.
falta(s)-me.
ainda o significado das palavras.
saudade.
palavras ou o seu significado.
é tudo.]

Bósforo, 2005
a sexta saudade e a que faz com que se esteja sempre a falar com o outro e a fazer parte dele, a respirar nele e a existir nele, pele a pele, veia a veia, coração a coração, a ter de dizer-lhe sempre do seu amor das maneiras mais variadas e a propósito das situações mais diversas, com variações de luz e cor, intensidade e perdição, ansiedade e alegria, sem nunca querer ou ser capaz de distinguir esse amor da própria vida e só assim ser feliz.
[ainda a tempestade de verão escurecendo o dia e a chuva a lavar os olhos. cansados.
ainda tu. perdido longe]

Istambul, 2005
às vezes somos surpreendidos. as coisas quase nunca são como as vemos.
aqui fiquei a saber que os portugueses com formação superior são subservientes e pouco confiantes, para de seguida me lerem o futuro nas borras do café.
[ainda o casario que se recorta contra céus de fogo. sempre as pontes no olhar em direcção ao futuro]