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olhar naufragado

em palavras vazias

 
Saturday, 30 July 2005
a explicação da saudade § 1

Jorge - Fussen, 2005
Fussen, 2005

perguntam-me com frequência o que é  essa coisa a que chamamos saudade.

respondo devagar que se podem considerar sete categorias de saudade.
[...]

[saudade:  esse sentimento absolutamente fraco e desnecessário]

posted by: jorge at 23:59 | link | |

Wednesday, 27 July 2005
[o teu] olhar

Jorge - Porto, 2005

Porto, 2005

só agora reparo no corpete cuidadosamente apertado.

não era necessário.

percorro as tuas linhas. devagar.

perco-me.

 

sim. vejo o teu peito.

queres ver o meu?

 

não.

não te dispas ainda.

deixa que a cicatriz no meu olhar descanse.

em ti.

 

posso tocar?

não me quero despir. ainda não.

estou gelado.

 

[soletro o meu amor sobre o relevo da tua roupa. apetece-me dizer-te algo de obsceno. tenho medo]

posted by: jorge at 16:06 | link | |

Monday, 25 July 2005
esperar

Jorge - Génova, 2004

Génova, 2004

pouco importa o tempo.

sei o que espero.

pouco importa a espera.

sei o tempo que espero.

espero.

[o bom tempo]

posted by: jorge at 20:31 | link | |

Thursday, 21 July 2005
... olha (me)

Jorge - Turim, 2004Jorge - Turim, 2004Jorge - Turim, 2004

Jorge - Turim, 2004
Turim, 2004

este olhar que te descobre e percorre.

longe e perto.

até ao dia.

um dia.

o dia.

[em que te descubra e percorra apenas perto.]

posted by: jorge at 09:46 | link | |

Sunday, 17 July 2005
[não mais] olhares perdidos

Foto de Susana Rocha
Foto de Susana Rocha

[e] poderia dizer:
a lua é uma lâmpada inútil, pendurada sobre uma grande cidade.

o olhar poderia ser um instrumento do silêncio
rumor esquecido
nas cidades sem nome
onde me perco

o olhar poderia ser também o cais de uma aventura
o início da descoberta
um jacarandá em flor.

poderia [então] dizer:
tocamos o rumor das palavras
nas margens deste mar
e na cintura da tua respiração
repousa o meu olhar.

[e] poderia dizer [ainda]:
quero-te
a iluminar as minhas noites.
olho-te
a ti.

posted by: jorge at 14:27 | link | |

Tuesday, 12 July 2005
[a minha] casa(s)

Jorge - Stavanger, 2005
Stavanger, 2005

às vezes deito-me a olhar este céu que é também teu.
tenho pensado casas.

[perguntaste um dia se a casa era o sítio onde temos as malas ou onde repousa o coração. hoje quero que saibas que gosto do verde]

posted by: jorge at 21:01 | link | |

Thursday, 07 July 2005
perder

Jorge - Stavanger, 2005
Stavanger, 2005

caminhavas apressado. contra o tempo
cuspindo a tristeza. no olhar
para acalmar as tempestades. no coração
 
[defendes-te embora saibas que o tempo acabará por ganhar]


posted by: jorge at 21:02 | link | |

Friday, 01 July 2005
casas, pontes e olhares perdidos

Jorge - Stavanger, 2005
Stavanger, 2005


pouco importa por onde nos perdemos.
mudam as casas, as pontes e o mar, apenas o olhar permanece.
perdido.

posted by: jorge at 14:50 | link | |