em palavras vazias
today
August 2006
July 2006
June 2006
May 2006
December 2005
November 2005
October 2005
September 2005
August 2005
July 2005
June 2005
May 2005
April 2005
March 2005
February 2005

Fussen, 2005
perguntam-me com frequência o que é essa coisa a que chamamos saudade.
respondo devagar que se podem considerar sete categorias de saudade.
[...]
[saudade: esse sentimento absolutamente fraco e desnecessário]

Porto, 2005
só agora reparo no corpete cuidadosamente apertado.
não era necessário.
percorro as tuas linhas. devagar.
perco-me.
sim. vejo o teu peito.
queres ver o meu?
não.
não te dispas ainda.
deixa que a cicatriz no meu olhar descanse.
em ti.
posso tocar?
não me quero despir. ainda não.
estou gelado.
[soletro o meu amor sobre o relevo da tua roupa. apetece-me dizer-te algo de obsceno. tenho medo]

Génova, 2004
pouco importa o tempo.
sei o que espero.
pouco importa a espera.
sei o tempo que espero.
espero.
[o bom tempo]




Turim, 2004
este olhar que te descobre e percorre.
longe e perto.
até ao dia.
um dia.
o dia.
[em que te descubra e percorra apenas perto.]

Foto de Susana Rocha
[e] poderia dizer:
a lua é uma lâmpada inútil, pendurada sobre uma grande cidade.
o olhar poderia ser um instrumento do silêncio
rumor esquecido
nas cidades sem nome
onde me perco
o olhar poderia ser também o cais de uma aventura
o início da descoberta
um jacarandá em flor.
poderia [então] dizer:
tocamos o rumor das palavras
nas margens deste mar
e na cintura da tua respiração
repousa o meu olhar.
[e] poderia dizer [ainda]:
quero-te
a iluminar as minhas noites.
olho-te
a ti.

Stavanger, 2005
às vezes deito-me a olhar este céu que é também teu.
tenho pensado casas.
[perguntaste um dia se a casa era o sítio onde temos as malas ou onde repousa o coração. hoje quero que saibas que gosto do verde]

Stavanger, 2005
caminhavas apressado. contra o tempo
cuspindo a tristeza. no olhar
para acalmar as tempestades. no coração
[defendes-te embora saibas que o tempo acabará por ganhar]

Stavanger, 2005
pouco importa por onde nos perdemos.
mudam as casas, as pontes e o mar, apenas o olhar permanece.
perdido.