em palavras vazias
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Milão, 2005
quando a tristeza
te desgasta o olhar
perdes-te nas palavras.
ainda o silêncio
e a descoberta do seu peso.
agora.

La Thuile, 2005
nas manhãs inesperadamente quietas
poderia aproximar-me um pouco mais da minha tristeza
levar-lhe um pouco mais do abandono
onde o meu corpo se resume a quase nada.
ainda as palavras
espigões que rasgam a pele
que sangra.
Bolonha, 2005
continuas um corpo aceso
à procura das palavras.
na tua pele misturo as cores inebriadas
e nelas me gravo em ti.

foto de susana
Sou como um candeeiro.
Acendo-me quando estás perto. Mostro-te as cores do passado
e do presente.
Quando estás perto fico mais brilhante e o meu olhar naufraga no teu.
Quando te vais apago-me. Mergulho na obscuridade e confundo-me com os muros onde me escondo.
És o meu amor que está longe. Por isso te escrevo.

Maastricht, 2005
Ainda os reflexos
do mesmo cansaço
percorrer agora
na cintura da tua respiração
o tempo de conhecer
na certeza da falta.